Com a volta do otimismo do consumidor, construtoras retomam obras

Com a volta do otimismo do consumidor, construtoras retomam obras/MARCO QUINTANA/JC – Jornal do Comércio

 

Após enfrentar quatro anos difíceis, o mercado de imóveis tem esboçado sinais de que obterá um melhor desempenho a partir do segundo semestre de 2019. Segundo empresários do ramo, os sinais de melhoria começaram a partir do término do processo eleitoral no País, em novembro do ano passado. Desde então, produtos de incorporadoras, construtoras e imobiliárias que estavam parados nas prateleiras passaram novamente a ser requisitados, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Aquiles Dal Molin.

E não foi somente a disposição dos consumidores que revigorou: os índices de confiança de todo o setor se elevaram visivelmente, segundo estudo de empresas de consultoria. “Tivemos um pico de otimismo no primeiro trimestre de 2018, mas, a partir do segundo semestre, os dados mostravam que o setor imobiliário vinha perdendo o entusiasmo“, comenta o economista e diretor da Alphaplan, Tiago Dias.

Ele observa que, no ano passado, a expectativa do setor era de que a recuperação ocorresse mais cedo. De acordo com a pesquisa, o Índice de Expectativa do Mercado Imobiliário levou uma injeção de ânimo sobre o último trimestre do ano passado, e a confiança atingiu uma alta recorde em comparação aos números pesquisados desde 2015. Os gráficos do estudo apontam que o quarto trimestre (de outubro a dezembro) de 2018 foi, sem dúvida, o período de maior pico de otimismo do mercado – estendido durante janeiro de 2019. Com queda acentuada após agosto de 2015, o ânimo do setor reagiu (melhorando mês a mês) durante todo 2016, patinando de forma “razoavelmente estável” nos dois anos seguintes, sem alcançar o patamar atual.

Incorporadoras com projetos parados nos últimos dois anos acenavam para “uma das maiores crises que o setor já viveu“, nas palavras do presidente do Sinduscon-RS. “Esse período de baixa sacrificou o caixa das empresas, que estavam aguardando a melhoria do mercado para adquirir terrenos e fazer novos lançamentos“, destaca Dal Molin. O presidente do Sinduscon-RS opina que “foi a vitória da direita” que movimentou as vendas. À frente da entidade que representa 3 mil empresas no Estado – incluindo 400 incorporadoras e construtoras de Porto Alegre -, ele afirma que “a crise afetou muito a classe média – e a maioria das pessoas estava aguardando o resultado do pleito para comprar com mais segurança” (uma vez que o mercado financeiro econômico promete se recuperar a partir das reformas anunciadas). “Em 2012 e 2013, nós ainda tínhamos um mercado de imóveis populares mais ascendente, enquanto o alto padrão entrava em um momento mais recessivo, devido à falta de liquidez“, recorda o consultor empresarial, Cesar Pancinha.

Naquele período o mercado estava “muito aquecido”, destaca o consultor. “Ocorreu um ápice grande de vendas de imóveis de valor menor, como os vinculados ao programa Minha Casa Minha Vida, implementado durante o governo Lula“, comenta Pancinha. No entanto, a desestabilização da economia gerada pelo aumento da inadimplência e do desemprego, e, consequentemente, de distratos, inverteu o cenário: as vendas de alto e médio padrão aqueceram, enquanto os imóveis com preços mais baixos sofreram queda de demanda. “O melhor ano para o setor foi o período do segundo mandato do governo Lula“, concorda o presidente do Sinduscon-RS. “Havia estabilidade econômica, pleno emprego, financiamento abundante no mercado imobiliário e todos os bancos fornecendo crédito, além de pessoas confiantes dispostas a consumir – não sei se voltaremos a esse patamar“, admite.

 

Maioria dos lançamentos deve sair do papel a partir do mês de abril

 

Empresas estão comprando terrenos para novas obras, diz Dal Molin

Empresas estão comprando terrenos para novas obras, diz Dal Molin /LUIZA PRADO/JC – Jornal do Comércio

 

Com melhores perspectivas, incorporadoras e construtoras que têm projetos para a Capital começam a acelerar os trabalhos e “pressionar” as prefeituras no que se refere ao retorno de aprovação e liberação de licenças. “Inclusive, há empresas comprando terrenos, para a implementação de novas obras“, comenta o presidente do Sinduscon-RS, Aquiles Dal Molin. Após dois anos com poucos lançamentos, “devido às adversidades da economia“, a agenda de novos empreendimentos residenciais e comerciais para 2019 comprova a reação e as boas perspectivas do segmento, avalia o sócio-proprietário da 2day Gestão de Lançamentos e Estoques, Guilherme Dutra.

Sócio também de uma imobiliária, Dutra destaca que 2018 foi um ano de “sobrevivência” para o mercado de compra e venda de imóveis. “Foram poucos negócios fechados, tivemos um ano muito difícil, com os consumidores muito inseguros.” Para 2019, o empresário tem expectativa de que as comercializações devem crescer em 30%. “Antes das eleições, o mercado estava mesmo bastante reprimido, mas o pessoal voltou a pesquisar, influenciando no otimismo e na reação positiva setor“, reforça o diretor comercial da Tomasetto Engenharia, Romeu Tomasetto.

Também estamos em fase de aprovação de projeto para a construção de um condomínio, cuja obra deve ser finalizada até 2022“, detalha o empresário. Segmento de alto padrão é o mais sólido em cenário atual, destaca Tiago Dias  que observa que o maior otimismo é com o médio prazo. “Por outro lado, o índice sobre o mercado atual está mais baixo”, analisa. “A expectativa é bem diferente, havendo até um descompasso“, conclui.

Os índices do estudo revelam alta de 2,9% entre os consumidores (com 106,1 pontos); elevação significativa (de 8,2%) entre corretores e imobiliárias (140,9 pontos) e crescimento forte (de 51,9%) no humor da incorporadoras e construtoras (153,9 pontos). Para Dias, há uma demanda reprimida, que deve alavancar as vendas a partir de 2020. O presidente do Sinduscon-RS, Aquiles Dal Molin, concorda que, somente em 2020, “quando ocorrer uma estabilidade na economia“, é que se poderá apontar crescimento consistente do mercado, com demandas mais definidas. “Estamos a caminho de uma solidez e maior segurança nos empregos e rendas – com o tempo, as pessoas irão voltar a adquirir imóveis“, considera. “Se alguém está pensando em comprar imóvel, a hora é agora. Quanto mais melhorar os índices do mercado, mais incorporadoras podem recuperar os valores que haviam caído“, avalia.

A procura melhorou, percebemos que os negócios saíram da gaveta e voltaram para a mesa“, comemora o diretor da incorporadora, Fernando Mocellin. “O mercado não estava bom, e seguramos os lançamentos para quando retomasse o bom ciclo“, admite.

 

Matéria original por Adriana Lampert

jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/02/670300-mercado-imobiliario-ja-da-sinais-de-recuperacao.html