Miguel Imóveis

A discussão sobre mudanças importantes na cobrança de impostos imobiliários voltou ao centro das atenções em Piracicaba. A Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei Complementar nº 22/2025, que propõe elevar a alíquota do ITBI  (imposto pago na transferência de imóveis) dos atuais 2,5% para 4%. A possível alteração tem gerado grande preocupação entre profissionais do mercado, compradores e representantes do setor da construção civil.

O que o projeto propõe?

O ITBI é um tributo obrigatório para quem registra a compra de um imóvel. Como ele deve ser quitado à vista, qualquer mudança na alíquota impacta diretamente quem está planejando adquirir a casa própria. Com a proposta enviada pelo Executivo, Piracicaba passaria a ter uma das maiores alíquotas entre cidades de porte semelhante no estado.

Para visualizar o impacto: na compra de um imóvel de R$ 300 mil, o imposto passaria de R$ 7,5 mil para R$ 12 mil. Um aumento que pode inviabilizar negociações e atrasar o sonho da casa própria.

Como Piracicaba se compara a outras cidades?

A nova alíquota colocaria o município em uma posição bastante desfavorável diante de cidades próximas e economicamente equivalentes:

CidadeAlíquota ITBI
Campinas2,7%
Ribeirão Preto2,0%
Sorocaba2,0%
Jundiaí2,0%
Limeira2,0%
São José dos Campos2,0%
Americana1,5%
Sumaré1,5%
Indaiatuba1,5%
Piracicaba (atual)2,5%
Piracicaba (proposto)4,0%

Esse salto representa o dobro da tarifa praticada na maior parte do estado.

Impactos previstos para o mercado

A elevação do imposto não afeta apenas quem está comprando um imóvel. O setor imobiliário, que movimenta diversos segmentos e representa parte significativa do PIB nacional, já alerta para possíveis efeitos:

  • diminuição no número de registros de imóveis;

  • retração nas vendas e no lançamento de novos empreendimentos;

  • freio na geração de empregos ligados à construção civil e serviços associados;

  • alta pressão no mercado de aluguel, já que menos famílias conseguirão migrar para a casa própria.

O Estado de São Paulo já enfrenta um déficit habitacional superior a 1,2 milhão de moradias — qualquer medida que dificulte o acesso à compra tende a ampliar esse desafio social.

Quem sente o impacto primeiro?

Os grupos mais vulneráveis à mudança incluem:

  • famílias que buscam adquirir seu primeiro imóvel;

  • trabalhadores autônomos e pequenos investidores;

  • corretores, construtoras, cartórios, engenheiros e arquitetos;

  • setores que dependem do mercado imobiliário, como mobiliário, decoração e crédito habitacional.

Participação da sociedade

O projeto será debatido em audiência pública no dia 12 de dezembro, às 10h, na Câmara Municipal. A presença da comunidade é fundamental para garantir que todas as vozes sejam ouvidas.

Corretores, arquitetos, engenheiros, construtores, investidores e compradores têm papel essencial neste momento. A participação ativa e o diálogo com os vereadores podem influenciar diretamente a decisão e evitar impactos negativos para Piracicaba.